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Algarve Descaracterizado  E-mail
Written by Walter Dias Correia   

O Algarve é um destino turístico por excelência de muitos europeus, tendo como o clima e as belíssimas praias os principais factores que contribuem para o grande crescimento nesta região.

Inaugurado em 1965, o Aeroporto Internacional de Faro constituiu o grande estímulo para a afirmação da actividade turística na região algarvia. Até aos meados dos anos 60, o turismo não tinha sido objecto de qualquer planeamento, logo passou a ser enquadrado nos Planos do Fomento e foi conferido ao turismo o papel aglutinador de desenvolvimento económico, mas desprovido de um modelo de desenvolvimento turístico e um desenquadramento nas políticas de ordenamento de território. Intensificaram-se os empreendimentos alheados de um conceito de desenvolvimento regional e sem infre-estruturas adequados, resultando os primeiros desgastes do ambiente, e no património natural as anomalias e a descaracterização, particularmente, nas regiões da orla costeira.

À imagem do Sul de Espanha, não se prevenio a “destruição” de algumas zonas turísticas nem a descaracterização; desejava-se um desenvolvimento turístico que evitasse os erros que já preocupavam os “nuestros hermanos”, mas acabaram-se por cometer esses mesmos erros.

Faro old and new quarter | Foto: Hettie Goverts

Photo Hettie Goverts

Ainda vamos a tempo de remediar tais desiquilibrios no ordenamento territorial da costa algarvia? Parece-me pouco provável aquando do modelo continuado de crestimento massificado e desordenado do algarve for determinado por interesses de investidores e executado por autarcas, ávidos por uma oferta turística de massas. Veja-se o caso do inestético elevador da Praia de Peneco, no concelho de Albufeira, um verdadeiro atentado ambiental, destruindo uma “defesa” natural e a sua beleza inerente.

Neste instante, mais de 100 mil apartamentos e moradias projectadas já se encontram aprovados e que deverão ser construídos nos próximos 5 anos, especialmentemte em Albufeira, Portimão, Quarteira e Armação de Pêra. Nem as zonas protegidas se encontram a salvo, como no caso do parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, no concelho de Vila do Bispo, do qual se prevê uma “enchurrada” de novos empreendimentos turísticos.

Segundo Fernando Pessoa, arquitecto paisagista e ex-presidente do Núcleo do Algarve da Liga para a Protecção da Natureza, “É uma descaracterização total do Algarve. Em vez de promoverem um turismo de acordo com as características existentes, tentamos copiar as Baamas ou a Escócia, com os campos de golfe”.

A reabilitação do casario e a recriação de aldeias turísticas, no interior algarvio, integrado na imagem e pelo respeito com o meio ambiente, seria, de certo modo, uma das formas de se evitar a descaracterização e desviar alguma procura turística da orla costeira para o interior algarvio, diminuindo, desde modo, a massificação nas áreas costeira, e a consequente deterioração dessas mesmas zonas.

Por forma a tirar-se maior partido da sustentabilidade e imagem nacional e europeu que a região do Algarve possui, deixando de ser apenas um destino de massas, no caso do litoral algarvio, para se tornar num turismo de qualidade, no interior da região do Algarve, enaltecendo a sua idêntidade e respeito pela região que se insere.


 

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