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Muito lixo acumulado numa escarpa íngrime e de difícil acesso, calor e algum vento
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Muito lixo acumulado numa escarpa íngrime e de difícil acesso, calor e algum vento
Incêndio no Lazareto causou pânico
A escarpa sobranceira ao local onde ainda hoje permanecem alguns restos do cargueiro “Zarco”, que encalhou na zona do calhau da Estrela (Lazareto), foi ontem consumida por um grande incêndio que pôs em perigo uma série de residências, em particular, seis que se encontravam naquela frente mar, a cerca de 50 metros do nível do mar.
A escarpa íngrime, de difícil acesso e com muito mato, assim como o forte vento que se fazia sentir naquele momento, a falta de água nalgumas bocas de incêndio da Rua do Lazareto e o muito fumo que ali se concentrou dificultaram o combate por parte dos 40 bombeiros de quatro corporações (Bombeiros Voluntários Madeirenses, Bombeiros Municipais do Funchal, Bombeiros Municipais de Santa Cruz e Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos) que para ali se deslocaram, apoiados por 11 viaturas. As chamas só foram dadas por extintas cerca das 17:30 horas.
Ainda assim, pequenos focos continuavam “moendo” no fundo da escarpa. Por isso mesmo foi decidido manter junto à ribanceira uma equipa de cinco elementos e um pronto socorro até às 20:30 horas a deitar água. Hora em que, um outro turno, se deslocou para o local para continuar o trabalho de observação.

Evacuar casas
foi prioridade

O alerta para o sucedido foi dado por volta das 12:21 horas, desde logo, a principal preocupação foi a de começar a evacuar as residências, onde se encontravam muitos populares de idade avançada, alguns inclusive, acamados, conforme explicou o comandante Bettencourt, dos Municipais do Funchal.
«Activamos o plano operacional de emergência, por esta ser uma zona habitacional com muita gente, principalmente, idosa. Quando chegamos, sentimos algumas dificuldades, dado o sentido em que o fogo se propagou. Ficamos um pouco atrapalhados no início pela grande quantidade de fumo, pelo que a nossa prioridade foi, inicialmente, evacuar as pessoas e depois fazer o combate ao fogo, sobretudo, na prevenção às casas, dado que o que interessa é não haver danos materiais», explicou.
Depois de feita a leitura da situação, alguns elementos das corporações, juntamente com populares e até agentes da PSP, procuraram evacuar as garrafas de gás que se encontravam no interior das habitações. O pânico e o nervosismo por ver as chamas tão perto às suas residências estava bem estampado no rosto dos populares, que aqui e ali iam gritando pela ajuda dos bombeiros.
Mais acima, junto ao miradouro do largo do Lazareto, muitos destes populares assistiam incrédulos à situação e discutiam as razões para o fogo. Uns apontavam o dedo a uma obra particular, de onde saiam algumas faíscas provocadas por soldaduras. Outros, diziam que a culpa está na má limpeza dos terrenos de algumas casas devolutas. Alguém recordou que na zona onde deflagrou o incêndio houve, em tempos, um acesso para o calhau da Estrela, agora interrompido, devido a um proprietário de uma das residências. «Se ainda lá estivesse, era mais fácil apagar as chamas», lamentava um popular.

Santa Cruz e Câmara
de Lobos deram ajuda

À medida que o vento soprava, as chamas ganhavam dimensão. Foram então activados os meios de Santa Cruz e Câmara de Lobos, que se juntaram às duas coporações do Funchal na sua quase totalidade (Voluntários Madeirenses e Municipais do Funchal).
«O fogo está circunscrito, mas é uma ravina com um declive extremamente alto. Temos de aguardar e estar sempre de prevenção porque não é fácil. De vez em quando temos rajadas de vento e foi isso que nos dificultou o trabalho no início», alertava o comandante Bettencourt, cerca das 14:45 horas.
Enquanto isso, as faúlhas que iam sendo arrastadas pelo vento em grande quantidade iam cobrindo casas, quintais, carros. O perigo agora era a dobrar, já que nos arredores há muito terreno abandonado e casas devolutas. Os receios confirmaram-se quando numa dessas habitações, as chamas começaram a aparecer. Valeu a pronta intervenção de bombeiros e agentes da PSP, que rapidamente puseram cobro à situação.
Numa das casas à beira da ravina, encontramos Ilídio Gouveia, atarefado a assegurar-se de que tudo estava controlado. ««Não estava em casa. Quando telefonaram, eu estava nas compras. Quando cá cheguei, já estava o lume a chegar às janelas. Graças a Deus, os bombeiros foram eficazes e conseguiram evitar que me chegasse as chamas à casa», contou.
Ainda assim, ficou algum prejuízo. O canil, onde guardava três cães, foi atingido pelas chamas. «Dois escaparam e um terceiro fugiu, mas morreu carbonizado. O problema disto é que está tudo seco e abandonado. Veja [apontando para os lados da residência, onde estão duas casas devolutas]… Estou mesmo a meio destes dois focos de incêndio», disse. «Há ali dois casebres que tiveram muita sorte. Se as chamas começavam por ali, então não havia ninguém que aguentasse», concluiu.